Endechas a Bárbara Escrava
Letra: Luiz Vaz de Camões
Música: José Afonso
Aquela cativa 
Que me tem cativo, 
Porque nela vivo 
Já não quer que viva. 
Eu nunca vi rosa 
Em suaves molhos, 
Que pera meus olhos 
Fosse mais fermosa. 

Nem no campo flores, 
Nem no céu estrelas 
Me parecem belas 
Como os meus amores. 
Rosto singular, 
Olhos sossegados, 
Pretos e cansados, 
Mas não de matar. 

Uma graça viva, 
Que neles lhe mora, 
Pera ser senhora 
De quem é cativa. 
Pretos os cabelos, 
Onde o povo vão 
Perde opinião 
Que os louros são belos. 

Pretidão de Amor, 
Tão doce a figura, 
Que a neve lhe jura 
Que trocara a cor. 
Leda mansidão, 
Que o siso acompanha; 
Bem parece estranha, 
Mas bárbara não. 

Presença serena 
Que a tormenta amansa; 
Nela, enfim, descansa 
Toda a minha pena. 
Esta é a cativa 
Que me tem cativo; 
E pois nela vivo, 
É força que viva.